HAALAND E VINI BR 247
eliminação do Brasil diante da Noruega foi merecida. E há dois culpados centrais por esta derrota: a CBF e Carlo Ancelotti.
A CBF, em primeiro lugar, por ter naturalizado uma ideia absurda: a de que o país mais tradicional do futebol mundial não teria um brasileiro capaz de comandar sua própria seleção. É ridículo que o Brasil, pentacampeão mundial, celeiro de jogadores, técnicos, escolas, ideias e paixões futebolísticas, tenha se colocado na posição subalterna de buscar fora aquilo que deveria ser capaz de produzir dentro de casa.
Se fosse mesmo necessário escolher um estrangeiro — e não era — que fosse Abel Ferreira, do Palmeiras. Abel vive o futebol brasileiro há anos, conhece nossos jogadores, entende o calendário, a pressão, a cultura, os vícios e as virtudes do nosso futebol. Além disso, coleciona títulos. Seria uma escolha muito mais lógica do que apostar em um técnico consagrado na Europa, mas distante da realidade brasileira.
Ancelotti errou ao longo de toda a Copa. Errou nas escalações, nas leituras de jogo e nas substituições. Insistiu em atacantes pouco efetivos, como Raphinha na primeira fase e depois Rayan, duas peças inexpressivas quando o Brasil precisava de protagonismo. Endrick, que deveria ter sido usado mais cedo, só entrou no segundo tempo contra a Noruega, quando o jogo já estava travado e o Brasil precisava desesperadamente de soluções.
Outro erro crasso foi escolher Bruno Guimarães para bater o pênalti. Bruno vinha sendo o melhor jogador do Brasil na Copa, mas foi colocado na fogueira. Caminhou para a bola com o pânico escancarado nos olhos. Um técnico experiente deveria ter percebido isso. Pênalti em jogo eliminatório não é apenas técnica: é cabeça, hierarquia e responsabilidade.
E aí vem outra contradição: se Neymar foi convocado e tinha condições de jogar no segundo tempo, poderia ter começado jogando. Até porque Neymar é o principal batedor de pênaltis do Brasil. Em uma partida decidida nos detalhes, deixar seu jogador mais decisivo no banco foi mais uma demonstração da confusão de Ancelotti.
Também é escandaloso que um técnico receba R$ 5 milhões por mês, tenha contrato renovado até 2030 independentemente dos resultados e ainda faça propaganda para uma cervejaria, a Ambev. A seleção brasileira não pode ser tratada como plataforma de marketing nem como brinquedo de cartolas.
Por fim, é hora de acabar com a soberba. O “créu” como resposta à remada viking norueguesa foi outra cena ridícula. Além de desrespeitar o adversário, associa o Brasil ao deboche barato e ao sexismo. A Noruega respondeu em campo. Com seriedade, organização e Haaland.
O Brasil perdeu porque mereceu perder. E só voltará a vencer quando recuperar o respeito por si mesmo, por sua história e também pelos adversários.
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