FOTO POR OUTRAS PALAVRAS
Eis nosso desafio da atualidade, o ensino e as influências do mercado,como uma Ideologia que perpassa o currículo, tenta matar ou abolir as Ciências Sociais,e nisto caimos no abismo : o pós humano e a fragmentação da verdade.Ser e estar são comandados pela frequência do lucro, do modismo do rentismo e não temos mais a verdade do humano analógico, imperfeitocontraditório, mas humano demasiado humano.
O ensino técnico é priorizado e o exercito de reserva, gramscisniano está posto.A justiça cambaleia e a desigualdade se esparrama na ilusão que compomos um todo igual, doce ilusão.
Educar vai pro ar, pois este verbo não apenas é uma ação de entrega de conhecimento,mas sobretudo do conhecimento do ser e estar como humano na vida.
A tecnologia quando não mais ver o humano e o toma como enquadrado num único padrão esquarteja o SER e nada mais sobra que a ARISTOCRACIA DAS TENCOLOGIAS e sua crueldade de gula de carteis ,países imperialistas.O neoliberaismo contraditorio na sua essência destroi toda e qulquer sentido de democracia, pois o homem é um ser político em todos os seus momentos do despertar ao acordar. Daí o homem morreu ou agoniza na cruz do capital, a educação falhou vez que ela é revolucionária por princípio e assim não sendo: não é pelo homem, e não há mais humano. Paulo Vasconcelos
Abaixo leiam o texto de OUTRAS PAlAVRAS;
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Os desafios da educação profissional e tecnológica
Ampliação da oferta de vagas é muito importante, mas não basta. Enfrentar a desigualdade no ensino técnico exige reconhecer seu valor social, políticas de permanência, capilarização regional e currículo alinhado às transformações do mundo do trabalhoPor Roberto Rafael Dias da Silva
A pergunta de Axel Honneth sobre a “textura da justiça” convida a deslocar o olhar das normas abstratas para as experiências concretas de reconhecimento (ou de sua negação) que atravessam a vida social. Trata-se de compreender a justiça não apenas como distribuição de bens ou oportunidades, mas como a qualidade das relações sociais que permitem aos sujeitos desenvolverem-se como membros plenos da vida coletiva. Ao transpor essa chave analítica para o campo das políticas de educação profissional e tecnológica, evidencia-se que os desafios contemporâneos não se limitam à expansão da oferta ou à atualização curricular, mas dizem respeito à forma como essas políticas produzem (ou não) condições de reconhecimento para os estudantes, especialmente aqueles historicamente situados em posições de vulnerabilidade.
Os dados produzidos pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, em especial por meio do Censo Escolar que foi recentemente divulgado, permitem identificar tendências relevantes nas últimas décadas. Observa-se uma ampliação significativa da oferta de educação profissional, tanto na forma integrada ao ensino médio quanto nas modalidades concomitante e subsequente. Essa expansão, impulsionada por políticas públicas e por mudanças no marco regulatório da educação básica, indica um reconhecimento crescente da importância estratégica dessa etapa formativa para o desenvolvimento econômico e social do país. No entanto, ao mesmo tempo em que se ampliam as matrículas, persistem desigualdades estruturais que tensionam o ideal de justiça educacional.
Entre essas desigualdades, destaca-se a forte concentração regional da oferta, com maior presença de cursos técnicos em determinadas regiões e vazios formativos em outras, especialmente em territórios mais vulneráveis. Soma-se a isso a segmentação entre redes públicas e privadas, que frequentemente se traduz em diferenças nas condições de infraestrutura, na qualificação docente e nas oportunidades de articulação com o mundo do trabalho. Tais assimetrias revelam que a expansão não tem sido acompanhada por uma efetiva democratização das condições de acesso e permanência, o que compromete a possibilidade de construção de trajetórias formativas mais equitativas.
Sob a perspectiva da “textura da justiça”, esses dados ganham densidade interpretativa ao evidenciar déficits de reconhecimento em múltiplas dimensões. Em primeiro lugar, há um problema histórico de valorização social da educação profissional. Ainda que se observe, nos últimos anos, um esforço de reconfiguração dessa imagem, persiste a associação entre formação técnica e trajetórias de menor prestígio social, em contraste com a centralidade atribuída ao ensino superior. Essa hierarquização simbólica afeta diretamente as escolhas dos estudantes e de suas famílias, bem como as expectativas construídas em torno dessas trajetórias.
Em segundo lugar, emerge a questão da integração curricular. A proposta de articulação entre formação geral e formação técnica, especialmente no âmbito do ensino médio integrado, constitui uma das principais inovações das políticas recentes. No entanto, sua implementação enfrenta obstáculos significativos, que vão desde a organização dos tempos e espaços escolares até a formação dos docentes. Em muitos casos, observa-se a manutenção de uma lógica dual, em que os componentes técnicos e propedêuticos coexistem sem uma efetiva integração, limitando o potencial formativo dessas experiências. Do ponto de vista do reconhecimento, isso implica uma fragmentação das experiências educativas, dificultando a construção de sentidos mais amplos para a aprendizagem.
Outro aspecto relevante diz respeito às condições concretas de oferta. Os dados do Censo Escolar evidenciam variações significativas entre instituições e redes, tanto em termos de infraestrutura quanto de recursos pedagógicos e vínculos com o setor produtivo. Essas diferenças produzem experiências educacionais desiguais, que impactam diretamente as possibilidades de aprendizagem e inserção no mundo do trabalho. Em contextos mais precarizados, a educação profissional pode acabar reproduzindo trajetórias de baixa qualificação, em vez de funcionar como um vetor de mobilidade social.
A questão da permanência e da conclusão também se apresenta como um dos principais desafios. Os indicadores de evasão, especialmente entre estudantes em situação de vulnerabilidade social, revelam a fragilidade dos vínculos institucionais e a insuficiência das políticas de apoio. Sob a ótica da “textura da justiça”, a evasão não pode ser compreendida como um fenômeno individual, mas como um sinal de que as instituições não estão conseguindo produzir condições adequadas de reconhecimento. Isso envolve desde questões materiais (como transporte, alimentação e acesso a recursos) até dimensões simbólicas, como o sentimento de pertencimento e a relevância percebida do percurso formativo.
Nesse sentido, políticas de assistência estudantil, acompanhamento pedagógico e flexibilização curricular assumem um papel central. No entanto, sua implementação ainda é desigual e, em muitos casos, insuficiente para enfrentar a complexidade dos desafios colocados. A construção de estratégias mais integradas, que articulem diferentes dimensões da experiência estudantil, aparece como uma condição necessária para a promoção de trajetórias formativas mais consistentes.
Outro eixo fundamental de análise refere-se à governança das políticas de educação profissional e tecnológica. A multiplicidade de atores envolvidos (sistemas de ensino, instituições formadoras, setor produtivo e diferentes níveis de governo) exige a construção de arranjos institucionais capazes de promover coordenação e coerência. Contudo, o que se observa com frequência é uma fragmentação das iniciativas, com baixa articulação entre políticas educacionais, econômicas e de desenvolvimento regional. Essa desarticulação compromete a capacidade de resposta das políticas às dinâmicas territoriais e às demandas dos jovens.
A ausência de mecanismos mais robustos de participação social também limita a construção de políticas mais sensíveis às experiências dos sujeitos. A incorporação das vozes dos estudantes, dos docentes e das comunidades nos processos decisórios constitui um elemento central para a construção de políticas mais justas, na medida em que amplia as possibilidades de reconhecimento e de construção coletiva de sentidos. Sem essa dimensão participativa, há o risco de reprodução de modelos tecnocráticos, pouco atentos às especificidades dos contextos locais.
Além disso, as transformações no mundo do trabalho colocam novos desafios para a educação profissional. A incorporação de tecnologias digitais, a reorganização dos processos produtivos e a crescente instabilidade das trajetórias ocupacionais exigem uma formação que vá além da aquisição de competências técnicas específicas. Torna-se necessário promover o desenvolvimento de capacidades mais amplas, como pensamento crítico, autonomia e capacidade de adaptação. Isso implica repensar os currículos e as práticas pedagógicas, de modo a articular conhecimentos técnicos e formação humana de forma mais integrada.
Diante desse cenário, os desafios das políticas de educação profissional e tecnológica demandam uma reconfiguração que leve a sério a dimensão relacional da justiça. Isso significa reconhecer que a democratização dessas políticas não se realiza apenas por meio da ampliação de vagas ou da diversificação da oferta, mas pela capacidade de produzir experiências formativas que sejam socialmente significativas e que contribuam para o fortalecimento dos sujeitos em suas trajetórias.
Tal reconfiguração envolve, entre outros aspectos, o enfrentamento das desigualdades territoriais, a valorização social da educação profissional, o fortalecimento da integração curricular e a construção de formas de governança mais articuladas e participativas. Exige, também, o investimento em políticas de permanência que reconheçam a complexidade das condições de vida dos estudantes e que consigam sustentar sua trajetória ao longo do percurso formativo.
Em última instância, pensar as políticas de educação profissional e tecnológica a partir da “textura da justiça” implica deslocar o foco dos resultados estritamente quantitativos para a qualidade das experiências educativas. Trata-se de compreender que a justiça educacional se realiza na medida em que os sujeitos se reconhecem — e são reconhecidos — como participantes legítimos da vida social, capazes de construir projetos de vida dignos e de intervir de forma crítica no mundo em que vivem.
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